Rodrigo Sassi_artista plástico | Vila Ipojuca, SP

Artistas que dividem o ateliê: Renata Egreja – Ana Luiza Araujo – Rafale Ramos e Marcelo Golfetti.

- Formação:

Artes plásticas – FAAP

- Onde nasceu e onde vive:  

Nasci e me criei aqui em São Paulo

- Você morou em Londres, certo? Qual a repercussão dessa vivência em seu trabalho?

Inicialmente meu trabalho era dedicado a intervenção urbana. Sai do grafite e ao entrar na faculdade de artes minha única certeza era que meus trabalhos seguiriam esta linha de desenvolvimento na rua. Durante muito tempo trabalhei com ideias que sempre me jogavam pro espaço urbano e foi com esta cabeça e intuito que decidi ir para Londres. A pesquisa que eu acreditava desenvolver lá foi por água abaixo pois acabei encontrando uma cidade praticamente toda tombada,  diferente do que rolava aqui, eu não podia sair intervindo e ocupando onde bem entendesse.

De certa forma, lá eu perdi minhas referências e esta pesquisa acabou se direcionando para o circuito fechado, galerias e museus. Durante este período eu parei de produzir e qd voltei para São Paulo já não dependia mais da rua como espaço expositivo, toda minha experiencia com intervenções se transformou em referencias para um trabalho de atelier. Foi um momento transitivo na minha produção,acabei levando a rua para dentro do meu estúdio.

- Inspiração:

Sair de casa. Muitos artistas plásticos me inspiram mas nem sempre estou em contato direto ou não com eles. Por mais que eu frequente a cena artística indo em museus e visitando galerias e ateliers, muitas vezes me vejo fazendo uma pesquisa em meus momentos de transição e locomoção. É na rua onde, mesmo que sem querer, me deparo com arquitetura, que para mim é uma das maiores fontes de inspiração.

- Materiais de trabalho:

Meu trabalho atual é muito ligado a construção civil e grande parte dos materiais que uso para produzir minhas esculturas são provenientes de descarte de obras. A base das minhas esculturas é concreto e madeira e, com estas madeiras eu crio  fôrmas para concreta-la posteriormente, da mesma forma como são feitas vigas e pilares estruturais de casas e edifícios. Como a madeira é descartada após o enrijecimento do concreto por construtoras,  em meu trabalho as reutilizo criando uma sobrevida para este material, aplicando-as em minhas esculturas em uma composição ente elas e o cimento.

- Há quanto tempo artista e como foi o começo?

Comecei a fazer grafite com meus 15 anos com uma turma de amigos do colégio. Conforme fui tomando gosto pela coisa, a ideia de tornar isso uma profissão não me desagradava nenhum pouco e assim decidi cursar artes plásticas. Ao entrar na faculdade, a  rua não me abandonou, mesmo tendo milhares de novas referências sempre me via pensando em atuar ao ar livre e fazer algo popular, que estivesse em contato direto com as pessoas. Me juntei a duas amigas e montamos um coletivo, foi uma faze incrível, aprendi a discutir e abrir mão das minhas ideias, não foi fácil mas foi enriquecedor.  Nos formamos na faculdade e este grupo perdeu força, cada tomou um rumo mas eu não deixei de atuar com intervenções. Na viagem que fiz pra Londres as coisas mudaram, minha produção parou para dar lugar a uma pesquisa que acabou se voltando para novos artistas e novos espaços. A partir dai comecei a pensar meu trabalho em outra situação, meu trabalho até então feito na rua se transformou em referencias estéticas e conceituais para trabalhos feitos no atelier. A partir dai o trabalho foi se desenvolvendo sem quebras, evoluindo progressivamente, agregando materiais e se transformando.

- Artista do momento (que admira):

Theaster Gates