Renata De Bonis _ artista visual | Pompéia, SP

O atelier de Renata de Bonis parece, como ela mesma coloca, um museu particular de história natural.  Pinturas em papel na parede mostram paisagens inóspitas feitas de óleo e cera, todas em uma palheta opaca e rebaixada. A natureza é o tema principal e através dos trabalhos sentimos o poder e a sua grandiosidade. Renata escolhe lugares remotos para produzir e neles passa um belo tempo. No deserto da Califórnia permaneceu dois meses, e na Islândia foram cinco. Como ela mesma coloca, o trabalho incita a reflexão e o tempo mais lento, como o tempo da natureza em se remoldar. Uma investigação geológica da transformação do mundo, a relação do homem contemporâneo com a sociedade e a paisagem. Como o mundo construído reflete e faz parte desses ambientes sublimes que a escala chega a dar vertigem. A artista faz referencia ao pintor alemão do século IX Caspar David Friedrich, conhecido por suas pinturas onde a presença do ser humano é diminuída nas paisagens e traz o conceito do sublime, onde na imensidão da natureza encontramos nossas próprias limitações, nossa impotência. Lembrando também o poeta norte americano da mesma época Ralph Waldo Emerson que em seu ensaio “Nature” se descreve como um globo ocular transparente apenas contemplando a natureza.  Além das pinturas na parede, Renata tem uma coleção de pedras que vai trazendo de suas viagens. Vai criando seu acervo junto com textos que escreve nos lugares de produção, como se tivesse catalogando o mundo, suas formações, montanhas e pedras.

Mais :http://www.renatadebonis.com

Fotos: Leka Mendes
Texto: Priscilla Nasrallah