Fernando Velázquez _ artista visual | ateliê coletivo, Vila Madalena, SP

 

Voltamos novamente a casa onde eu fiz a primeira visita do Vitro. Quando estivemos na casa em janeiro visitamos grande parte dos cômodos, mas não o atelier do Fernando Velazquez. Ao entrar não sabia no que me focar primeiro, nos livros na larga prateleira, nos diversos trabalhos e estudos na parede, no emaranhado de fios, no que me parecia um amplificador, no teclado ou na escultura interativa.

Começamos então pela explicação da escultura objeto. Velazquez nos mostrava que o movimento acionava o cata-vento, me senti como uma criança em um museu de ciências. E esse sentimento permaneceu durante toda a visita.

Começamos a conversar para tentar entender o mundo desse artista multimeios, como ele mesmo se descreve. Me pareceu mais um multiprofissional que mistura tudo aquilo que aprendeu e o resultado é sua obra. Estudou arquitetura, artes plásticas, música, trabalhou como designer, fez mestrado em moda e doutorado em semiótica.

No computador Velazquez nos mostrou seu processo, a possibilidade infinita do áudio visual, como a criação de algoritmos de software viram pinturas lindas. O mapa de programação é partitura e seu projeto arquitetônico. Estava tudo ali, um Da Vinci moderno remoldando o Homem Virtuviano a partir de seu computador.

Falava da teoria da complexidade e eu perdida como uma criança achava tudo realmente complexo. Entendia que o que o artista estava fazendo era explorar todas as possibilidades, deixando o controle criar o descontrole. Tudo não passava de matemática e que a perfeição da matemática sumia com a interferência humana. O melhor de tudo é que nos explicava essa invenção de processos, a criação de uma nova geometria através do encontro com a tecnologia com um violão no colo. Fabuloso para uma pessoa para quem a matemática sempre foi uma língua alienígena.

Perdidas no meio de tanta informação acabamos a visita com uma longa e calorosa discussão política, o único tema que faltava abordar. Nos despedimos com uma abraço, concordando em discordar.

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Texto: Priscilla Nasrallah
Fotos: Leka Mendes