Ricardo Càstro _ artista visual | Higienópolis, SP

Ricardo Castro

Não são tantos os artistas que personificam suas obras. Que seu modo de agir, de se vestir traduzem seu trabalho. Ricardo de Càstro é um deles. Bastam cinco minutos na presença do artista para entender o enredo de sua obra. Com um sorriso no rosto e roupas coloridas nos recebeu em seu apartamento em Higienópolis, de onde trabalha. A sala de estar do apartamento virou seu espaço para experimentar. Lá esta um cavalete que abriga uma coleção de pedras e formas em cerâmica. Nas paredes estão algumas obras penduradas e materiais diversos encostados, vidros em formas triangulares, espelhos. O mais notável são as explosões de tinta na parede e os respingos da ação no teto. Oposto ao experimento estão diversos acúmulos, como ele chama. Os materiais triangulares todos juntos e uma obra bastante geométrica que consiste de um quadrado rosa e um retângulo avermelhado. Enquanto uma é sobre o acumulo de cores e formas a outra é sobre explosão, expansão. Ricardo parece brincar com essa dualidade. Muitos de seus trabalhos contam com a participação do público. Para pintura coletiva da explosão, como ele coloca,  o artista desenvolveu pequenos frascos de vidro onde coloca tinta e o espectador é convidado a joga-lo em direção a tela ou parede. Nos relata que vários participantes o agradecem pela efeito catártico da ação. Como se o acumulo se libertasse, explodindo. E a parede de sua sala foi a primeira experiência.

Seguimos a visita, e para chegarmos no quarto que usa como escritório passamos pelo corredor que mais parece um portal, uma sensação de acolhimento. Diversos adesivos bastante coloridos colados de forma aleatória criam um ambiente muito peculiar. Andando pelo apartamento vemos a diversidade do artista, como ele experimenta com diversos materiais. No quarto nos mostra diversos tecidos que usa em performances participativa, onde convida o espectador a se movimentar com o tecido, criando uma dança.

Ricardo foi o criador da expressão abravana, que muitos já ouvimos falar. O termo nada mais é que a essência do próprio artista. Sem a ambição de tentar definir algo através disso, a expressão veio como dispositivo para falar desse trabalho de abertura das relações, de novas possibilidades, da transformação através da participação. Quanto mais o espetador participa, mais a obra cria vida. Sendo com tintas ou pedaços de tecido. A constante são as cores e as formas, calculadas como nos acúmulos ou espontâneas como nas explosões. Ricardo se coloca como um ativador de ações, buscando possibilidades para conectar as pessoas, fazer com que elas se movam, se chacoalhem, se abravanem.

Mais infos: www.abravana.com