Jaime Lauriano _ artista visual | residência artística Tofiq Studios, Jardim Paulistano

 

Nos fundos de uma mansão no Jardim Paulista estão os cinco estúdios da residência artística Tofiq. Foi lá que tivemos uma aula de história do Brasil com Jaime Lauriano. Em uma sala branca ainda com poucas referencias na parede, Jaime começa nos contando do seu histórico, de seus primeiros trabalhos com um coletivo de amigos de intervenção urbana a sua pesquisa atual. Ali estava um artista historiador, um trabalho que surge de um pesquisa profunda sobre a criação e identidade brasileira.

Um país que tem um nome de uma arvore que nem sequer é nativa.  Novidade pra mim que o Pau Brasil tinha vindo com os europeus. A história do país já começa torta. A partir daí Jaime cutuca e remexe. Em plena Copa do Mundo, com revistas históricas de outras copas em cima da mesa, o artista questiona o que é o Brasil. Criando uma nova brincadeira com o mercado de arte, Jaime se torna um Duchamp tropical, embasado na história de um país que teve sua identidade inventada.

A ideia de identidade nacional esta constante investigação. Nessa continua provocação, Jaime testa até que ponto pode tensionar o espaço expositivo. A agressividade e violência esta presente em diversos trabalhos. O público se torna cumplice e exerce um papel fundamental desse enredo. Em uma exposição, uma das instalações consistia de garrafas de coquetel molotov em uma caixa de isopor. Imprimiu as instruções de como fazer o coquetel em uma flanela. O trabalho poderia ser destruído ao ser usado no processo, ou posto em uma moldura, como um fetiche, palavras do artista.  Imprimiu notas falsas e pediu para que público depositasse em sua conta.

Um humor sutil que faz que o espectador pense e se torne um pouco artista também. Mostrando um pouco do seu próximo trabalho, saímos questionando um pouco de tudo e com a curiosidade a flor da pele.