Paulo Nimer Pjota _ artista visual _ ateliê coletivo | Ipiranga, SP

A visita ao artista Paulo Nimer Pjota aconteceu em duas etapas. A primeira foi uma visita ao atelier e a segunda no projeto Cidade Matarazzo onde o artista ocupa uma das salas.

Pjota nos recebeu na porta do antigo hospital uma semana antes da abertura da exposição. Os trabalhos que estavam expostos em seu ateliê agora ocupavam uma das antigas salas dessa bucólica construção.
Na parede estavam as telas sem suporte, desenhos e fotografia. No chão, objetos quase escultóricos, moldes de uma jarra antiga e pedaços de concreto da própria construção. Começa falando que escolheu aquela sala pela luz de suas amplas janelas e também pelo desenho que já estava na parede, que faz um paralelo com seu trabalho.

Pjota nos conta que traça uma relação com a história da pintura. O tom rosado usado no trabalho relembra a cor usada pelo pintor renascentista Giotto. Porém também é o mesmo tom de rosa usado no papel de embrulho mais simples que conhecemos, aquele da padaria. A ironia permeia todo o trabalho do artista, que busca o equilíbrio entre o nobre e o popular. As obras trazem alegoria a história da arte. Seus desenhos delicados que fazem menção a pintura flamenca de natureza morta são mostrados de uma forma rústica em uma tela sem suporte. Apresenta uma constante contradição,  a perfeição do desenho é mostrada junto com rabiscos de caneta bic que encontraríamos em um caderno escolar. Todos os detalhes minuciosamente pensados para aparentar o oposto, para parecerem toscos.

O artista fala muito da cultura encontrada a margem da sociedade, nas periferias. Faz um paradoxo entre o mercado de arte e a arte que fala da periferia. De diversas formas busca colocar um mundo dentro do outro ironizando ambos. Os diversos símbolos presentes em seu trabalho intrigam o espectador, mascarando sua crítica irônica à sociedade. Essas contradições aqui exemplificadas com o Mickey Mouse como o símbolo do império ao lado do símbolo do Ying Yang que retrata o PCC. Busca elementos cotidianos para questionar a sociedade. As jarras no chão são moldes de uma jarra encontrada na casa de sua avó, porém são objetos usados em diversas obras históricas de natureza morta. As bananas representadas ao lado de um jarro de plástico em forma de abacaxi com o rabisco “art crimes” nos faz pensar como aprendemos a história da arte através de um olhar colonizador. Que ao intervir em formas históricas fazemos um outro retrato do que pode ser arte fora do cânone da alta cultura.

Seu pensamento artístico vem através da pintura, porém seu trabalho vai muito além. Traz a tona questões sócio-culturais e uma cultura excluída do mercado das artes.

Com um olhar mais atencioso descobrimos diversos detalhes nas obras. E assim vamos rindo do que achávamos que estava ali. Em seguida Pjota nos leva para fazer um tour do hospital. Diversas obras ainda sendo montadas, outras paredes com desenhos encontrados que o inspiraram, montadores de todos os lados até acabarmos no necrotério, ascendendo a lanterna do celular para não morrer de medo, pelo menos eu.

Texto:Priscilla Nasrallah

Fotos: Leka Mendes

* See English version below the post.

Paulo Nimer Pjota

Vitrô’s visit to artist Paulo Nimer Pjota took place in two parts: the first one was a visit to his atelier; and the second one to project Cidade Matarazzo, where he occupies one of the rooms.

We met with Pjota at the gate of the former hospital one week before the opening. The pieces that were once exposed at his atelier now took over one of the rooms of the bucolic building.

Canvases without support, drawings and pictures covered the walls. The floor held almost sculptural objects, the molds of an antique jug and pieces of concrete of the building itself. Paulo first mentions he chose that room because of its wide windows, and also because of a drawing that was already on the wall, which has a parallel with his work. 

Pjota also tells us that he establishes a relationship with the history of painting. The pink tone used in the work remits to the color used by Biotto, though it is also the same tone used in the simplest of wrapping papers found in Brazil, generally used to wrap parcels at groceries stores and the like. Irony is one of the strongest elements in the artist’s work, who pursues balance between noble and popular elements. His pieces include the allegory to art history. PJota’s delicate drawings make reference to still life Flemish painting, but with a rustic appeal on an unframed canvas. Contradiction is key: perfect drawings interact with doodles in Bic pens, easily found in school notebooks, and every detail is carefully reflected upon to seem the opposite, to seem rugged.  

The artist constantly refers to the culture found on the margins of society and exposes the paradox between the art market and the art that speaks of the outskirts, of the inner cities. Pjota attempts to bring one world into the other, and vice-versa, in several ways – but always subjecting both worlds to irony. The many symbols comprised in his work are intriguing to the observer, masking his ironic criticism of society. The contradictions are illustrated, in this case, by Mickey Mouse as the symbol of the empire and the Ying Yang symbol representing PCC, one of São Paulo’s organized criminal gangs. Pjota looks for everyday elements to challenge society. The jugs on the floor are molds of a jug found at his grandmother’s house, though the object are used in several still life historical works. The bananas represented beside a plastic jar in the form of a pineapple with the writing “art crimes” makes us think about how we learn art history through the eyes of the conquistador, and how intervention in historical forms brings forth another perspective of what art may be outside the canon of high culture.

Pjota’s artistic reflection comes through painting, but his work goes far beyond painting and brings about sociocultural issues and a culture that is left outside the art market.

A careful look reveals several details in his works and one you eventually find your self laughing at what you thought was actually there. Pjota then takes us on a tour of the hospital. Several works are still being assembled, other walls have drawings that inspired him, people running around all over the place… and we finally end up at the morgue, when we turned on the flashlight on my mobile not to be frightened to death – or was what just me?