Paulo Nimer Pjota # 02 _ Cidade Matarazzo | Bela Vista, SP

O vídeo é apenas um registro da conversa entre nossa escritora, Priscilla Nasrallah e o artista. A conversa foi gravada com um telefone, então aumentem o som e divirtam-se!

Abaixo o texto da Nasrallah e fotos da visita. Quem ainda não conferiu a 1ª visita que fizemos ao ateliê do artista com as obras expostas em fase de produção, pode conferir aqui.

 

A visita ao artista Paulo Nimer Pjota aconteceu em duas etapas. A primeira foi uma visita ao atelier e a segunda no projeto Cidade Matarazzo onde o artista ocupa uma das salas.

Pjota nos recebeu na porta do antigo hospital uma semana antes da abertura da exposição. Os trabalhos que estavam expostos em seu ateliê agora ocupavam uma das antigas salas dessa bucólica construção.
Na parede estavam as telas sem suporte, desenhos e fotografia. No chão, objetos quase escultóricos, moldes de uma jarra antiga e pedaços de concreto da própria construção. Começa falando que escolheu aquela sala pela luz de suas amplas janelas e também pelo desenho que já estava na parede, que faz um paralelo com seu trabalho.

Pjota nos conta que traça uma relação com a história da pintura. O tom rosado usado no trabalho relembra a cor usada pelo pintor renascentista Giotto. Porém também é o mesmo tom de rosa usado no papel de embrulho mais simples que conhecemos, aquele da padaria. A ironia permeia todo o trabalho do artista, que busca o equilíbrio entre o nobre e o popular. As obras trazem alegoria a história da arte. Seus desenhos delicados que fazem menção a pintura flamenca de natureza morta são mostrados de uma forma rústica em uma tela sem suporte. Apresenta uma constante contradição,  a perfeição do desenho é mostrada junto com rabiscos de caneta bic que encontraríamos em um caderno escolar. Todos os detalhes minuciosamente pensados para aparentar o oposto, para parecerem toscos.

O artista fala muito da cultura encontrada a margem da sociedade, nas periferias. Faz um paradoxo entre o mercado de arte e a arte que fala da periferia. De diversas formas busca colocar um mundo dentro do outro ironizando ambos. Os diversos símbolos presentes em seu trabalho intrigam o espectador, mascarando sua crítica irônica à sociedade. Essas contradições aqui exemplificadas com o Mickey Mouse como o símbolo do império ao lado do símbolo do Ying Yang que retrata o PCC. Busca elementos cotidianos para questionar a sociedade. As jarras no chão são moldes de uma jarra encontrada na casa de sua avó, porém são objetos usados em diversas obras históricas de natureza morta. As bananas representadas ao lado de um jarro de plástico em forma de abacaxi com o rabisco “art crimes” nos faz pensar como aprendemos a história da arte através de um olhar colonizador. Que ao intervir em formas históricas fazemos um outro retrato do que pode ser arte fora do cânone da alta cultura.

Seu pensamento artístico vem através da pintura, porém seu trabalho vai muito além. Traz a tona questões sócio-culturais e uma cultura excluída do mercado das artes.

Com um olhar mais atencioso descobrimos diversos detalhes nas obras. E assim vamos rindo do que achávamos que estava ali. Em seguida Pjota nos leva para fazer um tour do hospital. Diversas obras ainda sendo montadas, outras paredes com desenhos encontrados que o inspiraram, montadores de todos os lados até acabarmos no necrotério, ascendendo a lanterna do celular para não morrer de medo, pelo menos eu.

Texto:Priscilla Nasrallah

Fotos: Leka Mendes