Carlos Nunes _ artista visual | Cerqueira Cesar, SP

O atelier de Carlos Nunes está situado no terceiro andar de um prédio antigo, desses sem elevador com vista para copa das árvores. Um espaço amplo e muito bem organizado, com seus trabalhos espalhados por todas as paredes do apartamento. Logo percebe-se a presença de cores. O trabalho em desenvolvimento reflete uma pesquisa extensa sobre a cor e a luz. O artista nos explica o primeiro trabalho que se apresenta como uma contraposição entre uma cor e outra. Aqui Nunes procurou usar cores onde os nomes eram o contraponto, por exemplo: bordeau e verde Paris, azul marinho e azul céu, amarelo limão e laranja, ouro e amarelo outro. Buscando a relação entre as duas cores através do nome dado à elas. Avançando em seu estudo das cores, Nunes procura a essência real de cada cor. Usando o material oriundo de cada cor, o artista desenha. Usa a gema para fazer o amarelo gema, o abacate para o verde abacate, chocolate para o marrom chocolate, tijolo para terra, folha de ouro e beterraba para as cores homônimas.

Seu trabalho reflete o processo de criação e o estudo de possibilidades da natureza morta. É um processo de esgotamento de possibilidades, de experimentação. Usando o material natural o artista busca o material efêmero. Todo seu processo evoca calma. Como sua obra reflete seus experimentos e seu processo, não há como essa tranquilidade não transparecer. A constante busca parece um processo meditativo, e seu local de trabalho emana isso. Por outro lado seu trabalho parece extremamente calculado. O processo é quase cientifico. Contando um pouco de sua formação comenta que estudou na escola Waldorf Rudolf Steiner e desde criança foi ensinado a enxergar blocos de cor. Ao contrário do que a maioria das escolas ensinam a desenhar dentro de alguma linha ou retratar algo, essas forma alternativa de ensino permitiu que seu desenho evoluísse. Talvez por isso a cor e a luz tomem as mais variadas formas em seu trabalho.

Texto || Priscilla Nasrallah
Fotos || Leka Mendes