Adrenalina _ Red Bull Station _ Curadoria de Fernando Velázquez |Centro, SP

Como curador da Red Bull Station, Fernando Velázquez apresenta a exposição Adrenalina – a imagem em movimento no século XXI. A exibição traz trabalhos de artistas nacionais e internacionais que dialogam com o vídeo e a tecnologia, trazendo a programação como mídia principal. O resultado são vídeos, ou imagens em movimento, que apontam um novo caminho para a vídeo arte, historicamente teorizada em cima do cinema.

Velázquez explica que estes vídeos tem artifícios generativos. O generativo nada mais é que um sistema onde você cria regras e a partir dessas emergem coisas não racionais. Uma arte pensada através de códigos e de base de dados.

A exposição tem eixos temáticos. São estes o eixo do território, da matéria, da subjetividade e da distopia. Os trabalhos tratam do sujeito e da subjetividade, da matéria e da geometria, trazem uma idéia quase distopica da tecnologia e como ela nos afeta. O primeiro trabalho que encontramos logo na entrada são cinco telas que invocam um novo entendimento de território. O trabalho do japonês Ryoichi Kurokawa são paisagens que vão se transformando em abstração, um lugar utópico criado através de programação, um mapa tridimencional e em movimento. Questionando também a idéia do mapa cartográfico. Ao lado esta o trabalho do brasileiro Rick Silva que se baseia na idéia de universos paralelos e na teoria das cordas. Questionando a idéia de demais universos, o artista criou 28 seres que poderiam viver nestes universos, penando o porque os universos paralelos devem ser idênticos ao que conhecemos. Reconfigurou movimentos de animais reais criando assim uma nova realidade.

Os demais trabalhos do primeiro andar ficam neste limiar entre a realidade e a ficção. Trabalhos como o da Susie Siu documentam o movimento de matériais diversos (como a seda em água) de maneira ampliada lembrando imagens microscópicas. Seu trabalho não tem programação, é somente a filmagem destes materiais palpavéis. O trabalho da dupla Semiconductor apresenta um vídeo baseado em descobertas científicas sobre o campo magnético. No vídeo os artistas apresentam uma maquina que grava os movimentos eletromagnéticos. Porém esta máquina não existe. O vídeo é feito com efeitos computadorizados, mas que parece documentação científica. Estes deixam o espectador constantemente em dúvida, trabalhos de ficção que falam da realidade. O trabalho de Santiago Ortiz traz o banco de dados como tema principal. É a única obra que esta sendo lida em tempo real. Ou seja, o algorítimo vai mesclando as imagens conforme o vídeo vai rodando. São 100 imagens fotograficas em branco e preto – como fotos 3×4 usados em documentos – de homens de diversas origens. Conforme as combinações são criadas, pessoas que não existem surgem em no vídeo. As combinações são infinitas. O trabalho questiona a existencia real e a virtual. Para existirmos perante a lei, precisamos fazer parte de algum banco de dados. Ao apagar nossos rastros virtuais é como desaparecessemos, mesmo que ainda exisitmos no campo real.

No subsolo enocntramos trabalhos que lidam com a distopia. Richard Garet traz trechos biblícos do apocalipse, Lucas Bambozzi apresenta televisores antigos falando da durabilidade e o úlitmo suspiro de tecnologias que ficam obsoletas. São diversos trabalhos que provomem uma série de quetionamentos. Como pensarmos na relação do homem com o corpo agora que o corpo existe também virtualmente? Como pensar em geometria e pintura relacionada com video e programação? Onde entra o game na arte?

As infinitas possibilidades que a tecnologia pode trazer para o campo das artes visuais e que ainda não foram exploradas. Começamos a pensar no tempo da obra de arte, como o gesto está tomando outras dimensões e o vemos em outros formatos. Velazquez que já explora a tecnologia e programação no seu trabalho e nos convida a participar deste movimento. Será que aqui reside o tão procurado novo?

Texto _ Priscilla Nasrallah

Fotos _ Leka Mendes