Nino Cais _ ateliê coletivo _ FONTE | Vila Madalena, SP

 A obra de Nino Cais é possivelmente das mais diversificadas da arte contemporânea brasileira, não apenas em termos de materiais utilizados, – desde fotos, desenhos e colagens até esculturas, vídeos e vestimentas – mas também pela vasta abrangência de discursos poéticos e narrativos. Sua estética é singular e rica em detalhes de formas, cores e texturas, criando um universo intermediário entre o mundo cotidiano, o qual fornece a matéria-prima para os trabalhos, e um ambiente fantasioso e lúdico por natureza, com suas raízes fictícias na literatura, no teatro e nas artes plásticas. O artista se apropria de objetos comuns e lhes dá novo sentido em outro contexto, como um alquimista que reapresenta elementos com uma nova configuração. Nino Cais corta, cola, costura, desenha, está dentro e fora da obra, é personagem e autor, seus trabalhos se manifestam num tempo e espaço suspenso, reconhecível porém pouco explorado pelo espectador, tão perto e tão longe ao mesmo tempo que sua estranheza é acolhedora.

Como coloca o escritor português Valter Hugo Mãe: “Quando frequentarem a arte de Nino Cais não pensem nos objetos que (re)utiliza como materiais salvos do esquecimento, pensem em materiais convidados para o sublime. O ponto fundamental da lógica de Nino Cais é a glorificação. Aquilo que toca ascende. Nino tem um gesto de luxo que espiritualiza cada coisa. Nada mais é inanimado. O que expõe é orgânico e vive. Como Midas mas que, ao invés de ouro, concede alma àquilo em que coloca a mão.”

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